Conclusões. (I)

I am not a nice person, I am a person that knows how to be nice…

Podem dizer que esta minha afirmação é um tanto ao quanto drástica, mas todos temos que concordar que até tem o seu fundo de verdade…
As pessoas, na sua generalidade, têm a capacidade de praticar “boas acções”, mas será que esse exercício considerado como altruísta trata-se de facto de uma pura acção do seu carácter humano? Peço desde já desculpa, às pessoas que por esse mundo fora têm um chamado “bom coração”, que preenchem os seus dias, a sua existência com acções benevolentes e honrosas. Para essas pessoas digo que as admiro pela sua coragem, persistência e ideais. Mas até que ponto essas atitudes não se tratam de uma encenação pessoal (que até acaba por ter bons resultados sobre a comunidade em que se inserem), de uma atitude medida, considerada e tomada para, primeiramente, servir em benefício próprio, para que essas pessoas se sintam em “paz” com o seu espírito?
São estas as questões fundamentais que me assolam e que me levam a afirmar que o ser humano é primeiro que tudo um ser dúbio, preenchido com aspirações, desejos que se contradizem. Um ser não dotado de uma bondade antropológica. As pessoas podem ser “boas”, mas isso não quer dizer, necessariamente, que o sejam por natureza. Apenas o são porque sabem como o ser, como o fazer transparecer. Mas isto sou eu. São estas as minhas ideias. Não digo que seja esta a verdade, mas que é uma parte dela, é.

 

 

Anúncios

5 thoughts on “Conclusões. (I)

  1. Deixemos as intenções para quem pratica as acções. O pior é a consciência. Nunca saberei a verdadeira motivação de alguém; apenas a minha, e essa quero que seja de acordo com o meu dever e princípios. Não diria que os meus actos sejam puramente kantianos, porque admito que, por vezes, é o temor da consciência e do divino que me levam a agir.

    A mim custa-me falar em optimismo ou pessimismo antropológico embora deva concordar que é tentador acreditar no segundo. Eu tenho uma visão determinista de que somos produto daquilo que vivemos, da nossa socialização. Histórias do pecado original e estado de natureza selvagem não me convencem muito. Vejam que há pouco tempo li uma reportagem sobre uma tribo africana com uma vivência bastante primitiva que partilha tudo entre os seus membros e não possui qualquer chefia. Mas desde logo refuto a ideia de contrato social porque pensar como tábua rasa é ignorar todos factores que condicionam a nossa sociedade agora.

    Como disse ontem ao Pedro, acho que ele defendeu bem a sua posição e foi congruente mas não concordo com ele.

    Gostar

  2. Caríssima Sra. Joana Feliciano,

    No seguimento do seu texto, tenho alguns reparos a fazer. A sua afirmação é de facto “um tanto ao quanto drástica”. Como Cristão Apostólico Romano a sua afirmação ofende solenemente a minha pessoa e a dos meus… pares. Fique sabendo que sou praticante do Bem Altruista desde 1989, e o meu empenho no Bem ao próximo é genuino e sem segundas intenções!

    Agora a sério… o teu texto podia encaixar-se no Contracto Social. Mas ao contrário de Jacks Rousseau ( jay jay R. para os amigos ) nao acredito na bondade humana mesmo e também não acredito que a sociedade corrompa o Homem. Somos egocentricos por Natureza e ainda bem… a vida não teria piada nenhuma se fosse tudo bom. Defendes que as acções são camufladas com segundas intenções.. ok concordo. Mas pensa nisto, e daí? As razões pelas quais os homens praticam o ” bem ” são importantes? Só porque não é algo genuíno e altruista, deixa de ter menos valor? Desde que contribua para a harmonização da sociedade… as razões não me interessam. Se o Homem se revelasse verdadeiramente acredita que nem sociedade existiria… ( não te enganes pelos anarquistas e pelos comunas… olha que é um Ex comuna a falar… RIP JCP ). Preferes que as pessoas não pratiquem esse ” bem ” falso ou que se mostrassem como são realmente? se fosse esse o caso, iriamos viver muito mal… anarchy way! As pessoas são más por Natureza…so go with the flow.

    Gostar

    1. Realmente fizeste um bonito esforço. Mas neste caso prefiria que te alongasses para te compreender melhor as tuas ideias e sentimentos sobre este assunto. Vivemos num mundo mergulhado na hipocrisia. Já deves ter ouvido ” á mulher de César não basta ser também tem que parecer “. Vives num mundo onde o espéctaculo social é mais importante que a moral. Olha o exemplo dos politicos…Tipo Sócrates e o Berlusconi, são alta mafiosos, fazem o que querem (então o Berlusconi é demais) mas no entanto ganham sempre as eleições. E olha que os italianos são um povo bastante culto, bem mais que os portugueses. O Homem caminha para uma sociedade que rejeita a moral e aceita o perverso. As pessoas vivem uma vida que odeiam, onde não fazem o que gostam, consumem alcool e drogas para suavizar a monotonia que esta vida traz ( eu próprio sou exemplo desse consumo). Talvez tenha existido essa bondade natural… mas se existiu já morreu. Concordo quando dizes que se revelassem, a eles e as suas verdadeiras intençôes, o jogo perderia a piada toda. Mas reflecte nisto, será que as pessoas querem mesmo saber do ” bem “? Só importa o showoff…

      Gostar

      1. Reflectindo sobre a tua última afirmação, penso que as pessoas querem saber do “bem” sim. Mas neste caso o “bem” trata-se de um bem mediático, de um bem que na realidade se traduz num “bem parecer”. O «showoff» é uma característica intrínseca a esta sociedade globalizada moldada pelo mediatismo, pelo jogo de imagens. Mais que ser, o que conta é parecer! O “bem” torna-se num instrumento nas mãos daqueles que o sabem controlar. A vida social e a prática do bem torna-se cada vez mais num game de win-win. Onde ganham os que sabem controlar a bondade alheia e os que demonstram querer fazer o bem (basta demonstrar, já não tanto realizar). Socrátes e Berlusconi são exemplos disso, assim como tantos outros nomes sonantes da política internacional. Peritos na arte da demagogia e oratória enquanto meios para alcançar objectivos que mais que colectivos, são pessoais. Há-que entender que quem detém a destreza de dominar esta paleta de características, detém o poder. Nada mais interessa. O “bem” enquanto atitudes, acções (ponderadas) não passa de uma carta num jogo de interesses.
        A própria vivência quotidiana é apaziguada por este “bem”, que mesmo falso, no seu ínicio sempre cai bem. Por isso é que pessoas não merecedoras de palco e reconhecimento ganham, continuadamente, o poder. O “bem” é a droga da nossa sociedade. Esta sociedade que vive na ânsia de um dia obter o que lhe tem sido prometido. Por isso se oferece cada vez mais oportunidades a quem não as merece, e porquê? porque no fim, como diz o povo “eles são todos iguais”. O “bem”, o verdadeiro “bem”,desvalorizou-se. In the end, tudo não passa de uma fachada.
        J.

        Gostar

    2. Gostei muito deste reparo.
      E como viste fiz um bonito esforço para não me alongar nas palavras. Não queria massacrar ningué…m com umas 12 páginas de texto corrido, portanto muito ficou para dizer. Mas concordo com a tua ideia. As razões que as levam a praticar esse “bem” não são assim tão importantes. No final o que conta é que o pratiquem. Mas a minha questão seria então pqê disfarçar essas acções e não revelar as verdadeiras intenções, aspirações que se encontram camufladas? ..ah já sei porquê, este jogo de bondade perderia toda a piada para os jogadores!
      Mas bem, continuem a praticar boas acções. Mal por mal, este é mesmo o menor.

      J.

      Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s